terça-feira, 30 de dezembro de 2014

AO SABOR DAS ILUSÕES

Ao Sabor das Ilusões
Título Original: Megan’s Folly
Maura McGiveny


A atração por aquele homem casado ainda faria Megan pecar!
Maura McGiveny
Quando Richard puxou Megan para seus braços, ela sentiu um misto de curiosidade e desejo. Nunca havia estado tão perto de um homem em toda a sua vida. Talvez por isso não compreendesse as emoções que aquele contato lhe causava.
Ergueu a cabeça e viu nos olhos dele um sentimento perigoso, uma intenção oculta de sedução. Algo que sumiu como fumaça, substituído por um ódio intenso, uma revolta por ter cedido a seus encantos.




CAPÍTULO I


Megan saiu da galeria de arte de cabeça erguida, recusando-se a demonstrar seu desapontamento, e misturou-se às pessoas que caminhavam pela rua Hindley. Fizera uma lista das galerias de arte de Adelaide, e já visitara todas. Aquela era a última, e lá também não haviam podido ajudá-la.
Nos últimos seis meses só recebera respostas negativas. Já conversara com todas as pessoas ligadas às artes plásticas, inclusive colecionadores particulares. Seguira a lista meticulosamente, tentara tudo, mas ninguém vira seus retratos ou sabia de alguém que os tivesse visto.
"Sinto muito, senhorita", era a resposta já familiar. "Se quiser deixar uma descrição dos retratos, junto com seu endereço e telefone, poderemos avisá-la caso haja alguma novidade."
Era difícil aceitar a derrota. Se não fosse tão obstinada, já teria admitido para si mesma, há meses, que sua pesquisa fora infrutífera. As freiras sempre lhe haviam dito que aquele era seu maior defeito. A madre superiora lhe avisara que as chances eram mínimas, mas Megan tinha percorrido mais de quinze mil quilômetros para tentar provar que ela estava errada.
Quando a famosa galeria de arte de Nova York lhe informou que, inadvertidamente, os retratos haviam sido vendidos para alguém de Adelaide, na Austrália, ela ficara apavorada. Os quadros estavam apenas em exposição, não deviam ser vendidos, mas uma funcionária nova tinha se enganado. O comprador aparecera na hora do almoço, e pagara em dinheiro. A vendedora só lhe pudera informar que ele era muito atraente, falava com um adorável sotaque australiano e havia comentado que ia viajar para Adelaide naquele mesmo dia.
Apesar das advertências da madre superiora, Megan decidira ir atrás dos quadros. Esperava encontrar aquele homem e conseguir comprar os retratos de volta. Isso acontecera há seis meses. E agora?
Levantou o queixo. Não queria desistir ainda e voltar para casa derrotada. Talvez alguém respondesse ao anúncio que mandara colocar no jornal daquele dia. Se fosse preciso, arranjaria um emprego e continuaria a procurar. Tudo ia acabar dando certo. Tinha que dar...
Cada vez mais determinada, ela começou a andar mais depressa. O sol estava terrível. O cabelo escapou do coque severo que o prendia, e, ao levantar a mão para ajeitá-lo, Megan sentiu uma forte tontura. Parou um pouco, até melhorar. Tinha que aprender a ter mais respeito por aquele clima. Em Nova York era pleno inverno, e o mês de janeiro em Adelaide era muito mais quente do que ela havia imaginado.
Um fio de suor lhe escorria por entre os seios, e Megan atrevidamente desabotoou alguns botões da frente do vestido de algodão branco, esperando que a brisa a ajudasse a se refrescar. O calor não parecia incomodar as pessoas que enchiam as calçadas, bronzeadas pelo sol de verão.
Perdida em seus pensamentos, Megan de repente colidiu com algo sólido e quente, e por um instante ficou atrapalhada.
— Desculpe-me — uma voz profunda murmurou de algum lugar acima de sua cabeça. — Você está bem?
Megan ergueu a cabeça e deparou-se com um homem muito alto e forte, queimado de sol e possuidor dos olhos mais azuis que ela já vira.
— Sinto muito — respondeu, arfando, sem conseguir deixar de olhar para ele.
O homem segurou-a pelos braços para afastá-la do caminho, mas, ao reparar no decote e vislumbrar as formas generosas da moça, apertou os lábios e acenou com um gesto de cabeça, dizendo:
— Devia prestar mais atenção por onde anda. Sendo tão pequena, qualquer hora poderá se machucar.
O timbre de voz do homem era profundo e suave, e acalmou-lhe os nervos tensos. Ela ficou imaginando quem seria ele e o que faria, antes de vê-lo virar-se e se perder na multidão.
Sabendo que não havia meios de descobrir, resolveu continuar seu caminho, mas logo a seguir tropeçou em alguma coisa. Era uma carteira de homem. Megan abaixou-se, pegou a carteira e perscrutou à sua volta. O homem devia tê-la deixado cair quando esbarrara nela. Se corresse, talvez conseguisse alcançá-lo.
— Ei, senhor! — gritou, correndo na direção que ele havia tomado. — Espere!
Só conseguiu alcançá-lo dois quarteirões adiante. Estava sem fôlego e arfava quando ele se virou para encará-la.
— Acho que deixou cair isto — disse, com um sorriso satisfeito. Afinal, as pernas dele eram bem maiores do que as dela, e mesmo assim havia conseguido alcançá-lo.
Sem devolver o sorriso, ele procurou no bolso traseiro do jeans e mostrou-lhe uma velha carteira preta.
— Não, não é minha.
— Oh! — disse ela, desapontada. — Pensei que tivesse deixado cair lá atrás... — Parou de falar, estranhando o olhar severo que ele lhe dirigia.
— Olhe moça, tenho certeza de que essa abordagem é nova, mas não estou interessado.
Megan olhou para ele, completamente atrapalhada. Soltando um resmungo de desaprovação, ele se virou e se afastou, sem mais uma palavra.
— Bela jogada — comentou uma mulher alta, parada diante de uma porta aberta. — Mas pelo visto não é sempre que o truque funciona...
Megan virou-se para a mulher e ficou embaraçada. Não havia percebido que alguém fora testemunha do que acabava de acontecer.
— Bem, eu achei mesmo que ele devia ter deixado cair à carteira — disse, levantando os ombros num gesto de desânimo.
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