domingo, 8 de março de 2015

[AMY WINEHOUSE: A BIOGRAFIA, de Chas Newkey-Burden ]




Prefácio

Quando ficou sabendo que, durante uma reunião das Nações Unidas,
fora considerada responsável pela pobreza africana, foi que Amy
Winehouse entendeu que já tinha ouvido de tudo. Durante muito tempo,
essa talentosa cantora fora uma obsessão para a imprensa sensacionalista
e aprendera a conviver com a fúria implacável dessas publicações.
Entretanto, quando Antonio Maria Costa, o presidente do Departamento de
Drogas e Crime das Nações Unidas, mencionou-a, dizendo que ela
glamorizava o uso das drogas e provocava desse modo “mais um desastre
na África”, ela deve ter achado que o mundo enlouquecera.
A reportagem apareceu em uma hora movimentada da vida de Amy —
um período de atividade estranho, bem como maravilhoso e lastimável. A
mídia, claro, estava ali para documentar cada momento desse período. Ela
chamou sua platéia de “b*****a de macaco” durante um espetáculo caótico

em Birmingham, e, naquela mesma noite, um espectador travestido foi

expulso do recinto, embora afirmasse com insistência que poderia cuidar de Amy enquanto o marido dela estava na prisão. A maior parte dos repórteres e fãs tinha pouca coisa de bom a dizer sobre a apresentação; sobrou — de um modo um tanto bizarro — para Andrew Lloyd Weber e David Foster a defesa de Amy, insistindo, como insistiram, que a

apresentação tivera muitos méritos. Para aumentar ainda mais a atmosfera surreal, Lloyd Webber escreveu uma carta aberta a Amy nas páginas da revista Hello!. Não que o apoio do maestro significasse que a mídia iria dar um refresco a Amy. Um jornal alegou que uma tampa de garrafa queimada ora lançada do ônibus da cantora, e outro perguntou: “É falta de educação perguntar se você andou empoando o nariz, Amy?”, depois que ela foi fotografada com um círculo branco sob a narina. Na época em que o vídeo de um show então recente apareceu na internet, no qual ela tirava alguma coisa da bolsa e levava ao nariz, ninguém parecia interessado em admitir que, estudadas mais de perto, as imagens pareciam mostrar nada mais sinistro que ela limpando o nariz com um lenço de papel.

Logo, Amy causaria outras caras de desaprovação. “Nossa famosa

amiguinha está fumando no toalete”, miou uma aeromoça azeda durante o vôo de Amy à Escócia. Naturalmente, vozes alteradas se ouviram quando a cantora abriu caminho pelo aeroporto. Notícias de que seu empresário no tour se demitira pouco contribuíram para acalmar as coisas, e em pouco tempo a família dela demonstrava crescente preocupação. Seu irmão, Alex, apareceu na televisão, contando aos telespectadores da gmtv que Amy estava bem; e então, depois que ela voltou à capital, seus pais chamaram

uma ambulância logo depois que ela desapareceu. Um rumor doentio de que a cantora de 24 anos morrera de overdose percorreu a internet.







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