segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

COMING HOME

LIVRO
Coming Home

Leah Marino não namora há dois anos. Depois de descobrir que o homem que amava a havia manipulado e enganado, ela se recusa a sequer entreter a ideia de um relacionamento. Em vez disso, concentra sua atenção em cuidar de sua família, um papel que ela assumiu desde a morte de sua mãe e o único lugar que ela sabe que sua bondade não será usada contra ela novamente. Quando uma viagem nostálgica até sua casa de infância resulta em um encontro casual com Danny DeLuca.











Doze anos.

Ela vinha fazendo isso a cada ano nos últimos 12 anos, mas de alguma forma, mesmo depois de todo esse tempo, ainda conseguia ter o mesmo efeito sobre ela. Deveria estar insensível a isso agora, ou pelo menos, preparada para isso. Mas no segundo em que Leah Marino virou para a familiar pequena rua lateral, os olhos começaram a arder com a ameaça de lágrimas. Respirou fundo, expirando lentamente enquanto tirava o pé do acelerador e permitia que o carro encostasse sem pressa na estrada estreita.
Sempre parecia tão estranho para ela que algo poderia ser exatamente o mesmo e ainda completamente diferente ao mesmo tempo. Ela vira essas mesmas casas – construídas em conjunto como livros em uma prateleira – e seus minúsculos jardins cercados por incontáveis épocas. Lembrava-se vividamente de descer esta rua na parte de trás do carro de sua mãe, soprando seu hálito quente contra a janela e desenhar coraçõezinhos no nevoeiro que magicamente apareciam lá. Mas isso foi há anos. Outra vida.
O bairro parecia ficar menor a cada ano, embora soubesse que não era possível. Os carros estacionados ao longo da rua eram sempre diferentes. Algumas das casas mudaram de cor; alguns dos jardins foram abertos ou as calçadas restauradas. Mas em sua essência, era o mesmo mundo pequeno, um que era tão confortavelmente familiar para ela como era remotamente doloroso. Leah sentiu seu coração acelerar em seu peito um pouco antes da casa aparecer na direita, e seus ombros caírem de alívio quando a fachada amarela inalterada apareceu, destacando-se contra os brancos e os azuis das outras casas. Ela estava sempre com medo de chegar lá em um ano e descobrir que os novos proprietários pintaram o exterior de uma cor estranha, apagando o amarelo, que sempre lembrou a luz do sol na areia quente, pálida.



Sua mãe uma vez disse que se a felicidade fosse uma cor, seria amarelo. Leah saltou quando o grito rude de uma buzina explodiu em sua consciência, e seus olhos voaram para o espelho retrovisor. A grande picape preta se aproximando atrás dela aparentemente estava sem  vontade de acompanhar seu ritmo sentimental, e se ela tivesse que adivinhar, diria que os três carros alinhados atrás dele também não. Sentou-se em linha reta quando algo como pânico vibrou em seu peito. Ela não estava pronta para ir embora. Mal teve a chance de vê-lo. E sabia que se continuasse dirigindo, não teria como virar e voltar. A magia desta pequena rua seria quebrada; a realidade e a lógica que, em conjunto, lembrava a ela que esta pequena indulgência anual era tão infantil quanto era inconveniente. A buzina explodiu novamente, e desta vez, o homem corpulento ao volante enfiou a mão no para-brisa, gritando alguma coisa para ela através do vidro. Seus olhos percorreram a estrada freneticamente, tentando encontrar um espaço aberto na rua estreita, mas não havia nada. Os carros estavam enfileirados ao longo da calçada, as únicas aberturas sendo as entradas para as casas com garagens. Não que isso importasse. Especialmente enquanto o gentil cavalheiro atrás dela começou a buzinar e a gritar obscenidades. Mesmo que houvesse um espaço aberto, não havia como ela estacionar nesta rua estreita. Sem pensar, ela virou para o espaço vazio na frente de um carro na garagem da casa. A picape preta acelerou com outro sinal sonoro de sua buzina, desta vez acompanhada por um dedo do meio pressionado contra a janela do passageiro. 

— Feliz Natal para você também, senhor — disse Leah, vendo os outros carros ganharem velocidade novamente e continuarem pela estrada.

Quando o último carro passou, exalou, virando-se para olhar pela janela do passageiro para a pequena casa amarela. Apesar de fazer esse trajeto desde que aprendeu a dirigir, nunca uma vez ela, na verdade, estacionou o carro. Era sempre uma procura lenta pela rua, poucos segundos rápidos para levá-la, e depois de volta à vida real. Mas agora que estava sentada ali, tão perto que ela praticamente poderia alcançar e tocar, foi completamente dominada pelo desejo de vê-la. Realmente vê- la.

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